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Executivos remunerados mudam a cara do futebol brasileiro



SÃO PAULO – Entre as diversas mudanças que o esporte brasileiro sofreu nos últimos anos e o levaram ao posto de sexto maior mercado de futebol do mundo com movimentações que chegam a quase R$ 2 bilhões por ano, destaca-se a nova forma de administração dos clubes. A figura daquele velho cartola intimamente comprometido com a vida política das agremiações, sem qualquer qualificação profissional ligada ao esporte e que não raramente toma decisões movido mais pela paixão do que pela razão, vem cada vez mais perdendo espaço. Em seu lugar estão os chamados executivos do futebol.

Saem de cena o linguajar prosaico, os ternos desalinhados e o charuto na boca. Entram em campo o discurso polido, a camisa social bem cortada e o celular de última geração na mão.

A ideia é tratar o futebol como um negócio, que precisa ser visto e gerenciado como uma grande empresa. Assim, os dirigentes remunerados estão em praticamente todos os clubes da Série A do Campeonato Brasileiro e em boa parte dos participantes da Segunda Divisão nacional.

Para esses profissionais, não existem olheiros e contratações fracassadas, mas sim fornecedores e margem de erro na atividade. Típicos termos do mundo empresarial que passaram a fazer parte do dia a dia dos clubes.

Em 2011, eles resolveram fundar a Associação Brasileira dos Executivos de Futebol. O presidente é Ocimar Bolicenho. Atualmente na Ponte Preta, ele acumula passagens por Santos, Atlético-PR, Paraná, Marília e Joinville (leia entrevista abaixo).

O perfil dos associados é variado e há muitos ex-jogadores. É o caso do gerente de futebol do Corinthians, Edu Gaspar. Ele levou para o Alvinegro conceitos que aprendeu durante os oito anos em que jogou na Europa (de 2001 a 2009, defendeu o Arsenal, da Inglaterra, e o Valencia, da Espanha). Assim, é considerado nas alamedas do Parque São Jorge peça fundamental nos títulos do Brasileiro, da Libertadores e do Mundial que o Corinthians arrebatou em 2011 e 2012.

Faz parte da sua metodologia de trabalho usar números, vídeos e relatórios. Assim, busca minimizar ao máximo as possibilidades de uma contratação, seja ela cara ou barata, dar errado.

Aluno do curso de especialização em futebol da Fundação Getúlio Vargas, ele fala inglês e espanhol fluentemente e foi o representante do clube nas reuniões com a Fifa antes e durante o Mundial de Clubes no Japão.

“Gosto muito desse lado extracampo. Está provado que para as coisas funcionarem bem dentro do campo, o clube também precisa ser organizado fora”, diz.

Mas nem sempre contratar um executivo é sinônimo de sucesso. O Palmeiras, por exemplo, foi rebaixado para a Série B. O gerente César Sampaio não conseguiu repetir fora de campo o desempenho que teve como jogador e impedir que o conturbado ambiente político do Palestra Itália atrapalhasse o time. “Tentamos cuidar de tudo do futebol para deixar o presidente mais tranquilo para lidar com o restante do clube”, afirma.

O fato de já ter vestido a camisa do clube ajuda César Sampaio, mas não basta. “A vantagem que podemos ter é saber lidar melhor com os jogadores e saber o que realmente é uma vontade do atleta e o que é apenas algo para atrapalhar uma negociação.”

Antes de chegar ao Palmeiras, em 2011, ele formou-se em Administração e Gestão Esportiva e estudou marketing esportivo. Fez questão também de passar por clubes menores. Começou no Guaratinguetá e acumulou passagens por Figueirense, Rio Claro e Mogi Mirim. “Não dá para trabalhar numa função tão importante apenas com o nome.”

Fonte: Estadão